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Homenagem ao circo: quando uma mulher experimentou ser palhaça

Homenagem ao circo: quando uma mulher experimentou ser palhaça

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Uma das integrantes do nosso elenco foi uma das pioneiras em experimentar a arte do palhaço no Brasil. Há alguns (poucos) anos, palhaço era uma figura exclusivamente masculina.

A atriz Val de Carvalho, que atua há dez anos como besteirologista na ONG, teve seu primeiro contato com esta arte no começo dos anos 80, quando ingressou na primeira escola de circo do país: a Academia Piolin de Artes Circenses (APAC).

E ela nunca mais abandonou a pesquisa da máscara e se tornou uma das pioneiras da arte do palhaço feito por mulheres no país. Ela mesma conta como tudo aconteceu!

“Debaixo de uma lona de quatro mastros, no terreno do Anhembi (SP), acontecia um encontro único. Os mestres do circo ensinavam diversas modalidades de circo, pela primeira vez na história, para pessoas que não faziam parte da família circense.

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo incentivou a abertura de uma escola com o objetivo de aumentar a oferta de trabalho para artistas que, na época, enfrentavam grande desemprego com o sumiço dos pequenos circos que faziam a alegria dos bairros. Grande parte dos alunos eram atores, bailarinos, ginastas… E pessoas apaixonadas pelo circo!

Eu era uma atriz muito jovem e rebelde e nem me dava conta de que naqueles tempos palhaço era “coisa só de homem”! E foi lá, no meio desse caldeirão quente, que entrei em contato pela primeira vez com o palhaço, durante as aulas ministradas pelo mestre Roger Avanzi, o palhaço Picolino.

Excursionei como palhaça em espetáculos circenses por muitos anos em vários Estados brasileiros, e mantive uma vasta pesquisa cômica obtida principalmente pelo contato privilegiado com palhaços e mestres antigos do circo brasileiro: Arrelia, Figurinha, Picolino, Picoli, Cacareco, Savala… E ainda outros que na época eram novatos, assim como eu. Todos fariam parte de uma nova geração de palhaços do circo e do teatro do nosso país.

Em 2004 ingressei no Doutores da Alegria. E encontrei um dos maiores desafios da minha carreira: trabalhar diante de um leito de hospital sem perder a grandeza do picadeiro! Era outro universo. Delicadeza acima de tudo.

E foi com muito estudo, trabalho e apoio do treinamento da organização que me especializei também na arte do palhaço de hospital. Toda a bagagem que eu tinha me deu grande apoio para desenvolver um bom trabalho como besteirologista, mas somente após um ano de treinamento é que me senti pronta para assumir com totalidade o trabalho exigido dentro dos hospitais.

Foi assim que nasceu a dra. Xaveco Fritza, uma médica maluquinha criada especialmente para brincar com as crianças hospitalizadas e com todos os adultos que trabalham em torno da área pediátrica dos hospitais que atendemos.”

Viva o circo!
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II –
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