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Não?!

25 de abril de 2014
Tempo de leitura: 1 minutos

Doutores da Alegria

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É um pouco difícil a gente levar um “não”. Principalmente quando a gente quer muito o que deseja. Mas temos que saber aprender a conduzir o “não”.

O nosso senhor Aurélio, mestre das palavras, diz que o “não” significa negação, recusa. Mas ele não diz que esse “não” é pra sempre. Existem muitos “não” que podemos transformar em “três letrilhas, todas bonitinhas, fáceis de dizer: SIM”.

Eu e Dra. Tan Tan entramos na enfermaria em nosso primeiro dia de trabalho.

Bom dia, resmungamos.

Ao ouvir nossas vozes e ver nossa imagem, uma criança deitada, chamada B., com sua mãe ao lado, começou a espernear. O leito dela era bem próximo à porta e imediatamente corremos para longe. Ela continuou a espernear. Não queria papo com a gente. No outro plantão besteirológico, entramos na mesma enfermaria com mais cuidado e perguntamos o nome dela: ela começou a espernear. Saímos correndo.

No outro dia resolvemos entrar e atender outra criança. Ela já não gritou. Mas para irmos embora tínhamos que passar pela porta e ela sempre estava perto da porta. Ao passar, ela apenas abraçou a mãe.

E a dra. Tan Tan teimava em bater com o violão na minha bunda…

Ouvimos uma gargalhada, era a B.!

No outro dia entramos na enfermaria e cantamos uma música para ela. A B. dançou, cantou, mostrou a língua e soltou beijo. Só tínhamos a certeza de que não podíamos chegar perto dela. 

Em nosso último plantão encontramos a garota em outro setor do hospital. Ela estava na sua cadeira de rodas.

Oi, B!… A gente fez uma música especialmente pra você.

Ela ficou de longe olhando e começou a cantar. Logo depois começou a se sacolejar na cadeira.

Estávamos acostumados a nunca chegar perto dela pela sua não permissão. Agachamos e ficamos da altura dela. Ela quis gritar, mas o seu olhar parou na gente. Ficou olhando nossas roupas, nossas maquiagens, nossas vozes… Quando fomos embora, nos despedimos dela com um comprimento de mão. Saímos cantando.

Lá na saída da porta a B. torcia o pescoço pra nos ver indo… E vindo…

Dr. Marmelo (Marcelo Oliveira) e dra. Tan Tan (Tamara Lima)
Hospital Barão de Lucena – Março de 2014 



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encontro, medo, música, não, permissão, surpresa

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Monica
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Monica
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Trabalho lindo esse.
Sempre me emociono e me sinto feliz por existir pessoas como vcs.

Thelma
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Thelma
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Vocês são maravilhosos, parabéns por levarem alegria e esperança para essas crianças , seus familiares e aos que lidam com elas nos hospitais. Gratidão!!

Denise Veras
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Denise Veras
Visitante

Parabéns pelo grande coração.
Vcs são seres iluminados enviados por Deus pra trazer alegria as pessoas que mais precisam de carinho.

Lidiany
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Lidiany
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Eu e meu namorado conversamos muito sobre o fato de ter filhos e se seria justo ou não trazer mais um ser humano para esse mundo, mas quando eu vejo seres humanos como vocês, que não aceitam o “não” pelo simples fato de tentar levar alegria e felicidade ao outro eu começo a pensar, sinceramente, que ainda vale a pena. Espero que vocês continuem recusando o não e levando felicidade aos que estão tristes.

Alex
Visitante
Alex
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Não é tão forte, que tão forte não se aguenta, e se torna na simplicidade de um SIM

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