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Mesa discute os movimentos de humanização no segundo dia de Encontro

22 de novembro de 2014
Tempo de leitura: 2 minutos

Doutores da Alegria

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Dois grandes representantes do universo médico abrilhantaram o segundo dia do Encontro Nacional de Palhaços que Atuam em Hospital.

Dr. Luis Fernando Lopes, diretor médico do Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos, e Profa. Dra Maria Aparecida Basile, especialista em Infectologia e Medicina que atua na Universidade de São Paulo, discutiram os movimentos de humanização no ambiente hospitalar, com mediação de Morgana Masetti, psicóloga hospitalar e pesquisadora.

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Dra. Basile falou sobre a Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS), que desde 2003 norteia as práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil  e incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários. Outro tema abordado foi a importância das práticas de higiene que os palhaços devem ter no hospital para a imunização frente a doenças contagiosas. “Existem formas de não adquirir doenças e também de não transmiti-las aos pacientes, que já estão com o corpo mais debilitado”, explicou ela, que mostrou o calendário de vacinação no país e falou sobre as estratégias de higienização das mãos. “É preciso lavar as mãos todas as vezes em que entrar e sair de um quarto ou que entrar em contato com qualquer possibilidade de contaminação. Sempre recomendo também carregar um frasco de álcool gel no bolso.”

A convidada, que também coordena o Projeto de Extensão Universitária MadAlegria (USP), com assessoria dos Doutores da Alegria, destacou a relevância do contato dos jovens alunos com a máscara do palhaço e toda a sensibilidade que ela propõe. “Tenho dedicado esses últimos anos à sensibilização do olhar do estudante da área da saúde”, finalizou ela, contando histórias emocionantes.

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Dr. Luis Fernando iniciou sua fala com um panorama do câncer infantil no Brasil, revelando que é a doença que mais resulta em casos de morte, principalmente pelo diagnóstico tardio e pela falta de recursos para tratar os pacientes. Esse quadro é semelhante em diversos países pelo mundo. Sua fala também abordou questões emocionais que norteiam os pacientes que têm ou já tiveram câncer. “O indivíduo curado tem medo da memória que ele viveu dentro do hospital. Ele não se sente igual ao outro, mesmo depois de curado. Além da cura biológica, é preciso ter uma cura psicológica e social; a sociedade tem que aceitá-lo de volta, mesmo com alguma sequela.”

Em seguida, o convidado dividiu com a plateia a experiência que teve com os palhaços que atuavam no Hospital de Câncer Infantojuvenil de Barretos. Quando iniciou suas atividades no local, Luis Fernando se deparou com muitos voluntários, por diversas vezes despreparados, lidando com crianças acamadas. “Levei seis meses para selecionar uma única dupla de palhaços para atuar regularmente no hospital. Queria que eles fizessem parte da equipe interdisciplinar. O nosso trabalho mudou a partir do momento em que eles integraram essa equipe”, contou. Hoje os dois artistas participam de reuniões semanais com os profissionais de saúde, o que ajuda a entender melhor o quadro clínico de cada criança hospitalizada.

Ambos concordaram que o trabalho voluntário precisa caminhar do assistencialismo para o profissionalismo. “Eu me preocupo com quem chega sem cuidado e desavisado. É preciso se colocar de forma mais madura e consciente no hospital, para aos poucos conquistar espaços. É importante dialogar com a gestão, com os profissionais de saúde”, completou dr. Luis Fernando.

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Morgana Masetti questionou se seria possível trabalhar a formação de médicos com olhar mais sensibilizado, treinado para o campo dos sentidos, como o Mad Alegria vem fazendo sob orientação de Basile. “Acho que o caminho é esse e não pode ser outro”, concordou Luis Fernando, “Existem faculdades de Medicina que ainda não estão preparadas para esta mudança. Eu escolheria algumas escolas para testar o modelo, depois iria para outras, iria com cuidado, mas tenho certeza de que será divisor de águas. É uma mudança de comportamento, de olhar, de futuro.”

A plenária terminou sob muitos aplausos. O dia teve ainda o início das oficinas de orientação, que ocuparam a manhã inteira e devem seguir até domingo, quando termina o Encontro.



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