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Memórias de um hospital português

8 de junho de 2016
Tempo de leitura: 2 minutos

Doutores da Alegria

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Durante a Conferência de Palhaços em Portugal, já falada por aqui, eu tive a oportunidade, junto ao artista Marcelo Marcon, de esticar um pouco mais a estadia e fazer um intercâmbio com integrantes do grupo local Operação Nariz Vermelho.

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João Paulo Reis e Joel Oliveira nos receberam na entrada do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa.

De lá seguimos para a sala de apoio e conversamos sobre o evento recém-terminado. Enquanto eles se preparavam, relembramos as particularidades entre os grupos pelo mundo e a enorme diversidade de tipos de palhaços que atuam em hospitais.

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Acompanhamos Dr. Bambu e Dr. Fusilli nas alas pediatriátricas. Foi importante observar, pois esse olhar de fora nos ajuda a compreender e entender o jogo da dupla de palhaços, assim como a relação estabelecida por eles e seu grupo dentro do hospital. Esse formato de observar antes de atuar junto faz parte da metodologia da Escola dos Doutores da Alegria. 

A manhã acabou e durante o almoço conversarmos sobre o que vimos: a atuação, o repertório da dupla, a relação com os profissionais de saúde e pacientes. Notamos muita familiaridade com o nosso jeito de atuar! Até porque a fundadora do Operação Nariz Vermelho, Beatriz Quintella, era brasileira e fez várias visitas ao Doutores da Alegria durante a consolidação do grupo. 

Após o almoço, eu já era Dr. Lambada e Marcelo era Dr. Mingal. 

Formaram-se as duplas luso-brasileiras. Mingal e Bambu foram atender os pacientes que aguardavam numa sala de espera com vários consultórios médicos e depois passaram pela brinquedoteca, enquanto Lambada e Fusilli passaram visita na ala de quimioterapia. 

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De cara, Dr. Lambada foi cantar para um garoto internado a música sobre um sapo e uma perereca nadando na beira do rio, e aprendeu que “cueca”, em Portugal, é uma peça íntima do vestuário feminino, e não masculino… Muitas risadas da irmã do paciente com essa gafe… 

Na sequência, Dr. Mingal resolveu dar uma pirueta no estacionamento do hospital e enroscou sua calça numa haste de metal, rasgando os fundilhos de sua calça e deixando sua “cueca” à mostra. Fomos ao balcão da Enfermagem pedir linha para suturar o rasgo e ouvimos mais gargalhadas da equipe médica! 

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Na sequência, todos juntos, seguimos pelos corredores fazendo um cortejo musical até o ambulatório adulto, onde tocamos La cucaracha em um portunhol escalafobético! Nessa caminhada, descobrimos que Dr. Fusilli era o chefe, mas que quem mandava eram os outros três palhaços…

Essa história rendeu boas risadas, o coitadinho do Fusilli quase se esgarçou ao se dividir em três para conter a confusão que se estabeleceu com os três patetas, quer dizer, obstetras… Enfim… Aqueles besteirologistas incansáveis em parir bestices! 

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Foi uma grande farra! Ficamos quase uma hora além do expediente, nem vimos o tempo passar… Mas como escreveu o dramaturgo Samuel Beckett ao esperar Godot, como o tempo passa quando a gente se diverte… 

Voltamos para o Brasil, e quem viu… Viu! Quem não viu… Não riu! 

 

– texto escrito em parceria com Marcelo Marcon –



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