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Humanização: também se fala aqui

4 de dezembro de 2013
Tempo de leitura: 3 minutos

Doutores da Alegria

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Aqui nos Doutores da Alegria palhaçada também é coisa séria. Por trás de todas as ações que são feitas nos hospitais, existe um trabalho de bastidores que inclui muita pesquisa, formação e gestão para garantir a qualidade do que é entregue lá na ponta. 

Em novembro a organização do evento ONG BRASIL 2013 nos convidou para participar de uma mesa de bate-papo sobre o cenário da humanização da saúde no país. A palavra humanização é recente em nossas políticas públicas e é super importante que ela seja discutida e que suas práticas sejam aprimoradas. Quando pisamos no hospital pela primeira vez, nem sonhávamos que o que estávamos fazendo ali pudesse ser chamado de humanização.

Raul Figueiredo, que é ator, palhaço e tutor do Palhaços em Rede representou Doutores da Alegria no bate-papo, junto a Valdir Cimino, diretor-presidente e fundador da Associação Viva e Deixe Viver, e Suzel Figueiredo, presidente da Ideafix Pesquisa Corporativa Ltda. Ele conta pra gente como foi:

Eu, Valdir e Suzel conversamos por vinte minutos para que pudéssemos traçar uma narrativa que construísse, embasasse e fomentasse uma boa discussão sobre a importância do compromisso na atuação em hospitais, na área da saúde, principalmente para as pessoas que fazem trabalho voluntário ou profissional nos hospitais.

A Suzel é pesquisadora e nos apresentou dados que obteve nas entrevistas realizadas com adolescentes portadores de HIV e câncer e profissionais de saúde que trabalharam com eles em hospitais e casas de apoio. A apresentação nos revelou o abandono com que os eles se veem: os contaminados pelo HIV são mais agressivos, tem menos familiares por perto; enquanto os pacientes oncológicos são mais afetivos, tem mais apoio dos amigos e familiares. Uns enxergam uma possibilidade de viver com a doença e os outros sentem a proximidade da morte. Aids não se pega com um abraço, nem câncer… Mas a falta de informação afasta mais as pessoas dos aidéticos do que dos pacientes com câncer.

Importante ter consciência disso para sabermos como se aproximar e atuar junto a eles. Os voluntários podem criar um vínculo incrível, resgatando valores como a esperança, o amor próprio, o afeto nas relações, desde que os assistam com frequência nas suas visitas e não sejam mais uma quebra, um rompimento no processo de internação, uma perda…

Após a apresentação dela eu contei sobre minha experiência como voluntário, quando adolescente, acompanhando meus pais nas ações que faziam na minha cidade natal e como isso me afetou, motivando para que eu buscasse realizar algo no mesmo sentido, usando minha profissão como um vetor de inclusão social, e como meu encontro com a ONG Doutores da Alegria juntou todas as pontas soltas, montando uma trama perfeita nesse desejo, e me possibilitando ajudar a construir uma rede de cooperação.

Pude falar da nossa missão e função enquanto ONG na orientação e formação de palhaços que queiram ou não atuar em hospitais, expliquei sobre os cursos que nossa Escola oferece, os públicos que procuramos atingir, a democratização do conhecimento, compartilhando com a sociedade nossas descobertas dentro do universo do palhaço e do hospital, e atuando em três áreas fundamentais: Educação, Cultura e Saúde.

Após a apresentação me fizeram três perguntas:

Pergunta feita por uma voluntária:

Existe na Escola dos Doutores da Alegria uma formação de palhaço para adultos, semelhante ao Programa de Formação de Palhaço para Jovens?
Existem os cursos noturnos oferecidos em vários módulos pela Escola, mas importante dizer que nenhum deles se destina a formar palhaços para atuação em hospital, e sim para um maior entendimento da arte do palhaço. Expliquei sobre alguns deles: Palhaço para Curiosos, Jogo e Improviso, Mágica e Improvisação com Objetos.

Pergunta feita pelo Dr. Mauro do grupo Palhaços de Plantão do Centro Universitário São Camilo:

Existem dados, pesquisas, sobre como o profissional de saúde apreende conhecimento após um curso de palhaço?
Dei um depoimento de uma fisioterapeuta do grupo MadAlegria/USP, já formada, que se aproximou dos pacientes e conseguiu criar um vínculo a ponto da família procurá-la para dar continuidade ao tratamento fora do hospital; e falei do caso de uma paciente do Hospital A.C Camargo que reencontrei em uma oficina do Palhaços em Rede em Uberaba para estudantes de Medicina. Ou seja, ela se curou, estava estudando para ser médica e atuar com palhaça e sentia-se completamente “contaminada” pelos Doutores da Alegria. Queria ser uma de nós para cuidar dos outros com o mesmo carinho que se sentiu cuidada.

Pergunta feita por uma ex-integrante do MadAlegria/USP:

Como quebrar com o preconceito que ainda existe com a figura do palhaço dentro do hospital?
Somente com uma boa formação para quebrar com essa visão. Falei da experiência de nossos alunos das turmas 2 e 3 do MadAlegria no COBEN no mês passado, quando viram outros grupos de palhaços atuando sem a menor orientação, entrando e saindo dos quartos sem falar com a enfermagem e sem higienizar as mãos, entrando em cinco em um quarto e assustando as crianças, pedindo para elas não chorarem porque eles eram “legais”. Disse que isso afeta na avaliação de quem os assiste, a falta de bom senso incomoda os bons profissionais. Uma boa formação ajuda nessa aceitação e compreensão do que deva ser proposto quando atuamos em hospitais. Sabendo respeitar seremos respeitados.

Tivemos cerca de noventa pessoas assistindo à mesa. Foi um belo encontro!

E pra você, o que significa humanização?



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