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Daquelas pelas quais a gente se apaixona

2 de outubro de 2013
Tempo de leitura: 2 minutos

Doutores da Alegria

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Um garotinho miúdo, de palavrinhas enroladas e bem falador. Uma criança marcante, de olhinhos atentos, daquelas pelas quais a gente se apaixona

Eu o conheci no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), semestre passado. Ele adorava quando nos interessávamos por seus brinquedos e gostava de explicar como cada um funcionava – carrinhos, joguinhos e bichinhos de pelúcia.  

O semestre passou bem rápido e agora eu, Dra. Greta Garboreta, estou trabalhando no Instituto da Criança com o excelentíssimo Dr. Pistolinha. Dia desses, na ala de internação do convênio, encontramos a brinquedoteca cheia. A não ser pelas crianças que estavam em isolamento, parecia que todas as outras estavam lá, e lá também estava o R., o garotinho que conheci no Itaci. Fiquei feliz em reencontrá-lo. 

Depois, quando chegamos no quarto em frente, lá estava ele, sentadinho na poltrona, a nos esperar. Nem bem entramos e ele se apressou em pegar um sapinho de pelúcia que estava ao seu lado. 

Dr. Pistolinha: Qual o nome do seu sapo?
R.: Isopor!
Pistolinha: Que nome legal! Porque você colocou esse nome nele?
R.: Porque ele precisava ter um nome!

Pistolinha: (ao ver um robozinho que estava no parapeito da janela) E esse, como se chama? 
R.: Esse não tem nome, é brinquedo!
Pistolinha: Ah! O sapo tem nome porque não é brinquedo, né?
R.: É. Ele é meu filho, mas come comida de sapo, mosca!
Dra. Greta: Nossa! Então quando ele crescer, ele vai poder voar, tem tanta asa dentro dele!

O menino parou, como que para refletir sobre o que a Dra. Greta tinha falado, mas não disse nada. 

Pistolinha: Ele vai crescer mais?
R.: Vai, um pouquinho assim (e mostrou a beirada da cama). E vai pular muito! (e olhando para Greta) E voar também! Eu vou dar muita comida de sapo para ele crescer.
Pistolinha: Puxa! Ele pode até ser atleta!
Greta: Ele pode até ser pássaro!
R.: É.
Greta: Você é um ótimo pai!
R.: É. 

Ah! Esqueci de dizer, durante nossa brincadeira na brinquedoteca, diversas vezes trombamos com as paredes e portas na hora de sair. Esse detalhe é importante para entender o que vem a seguir. 

Pistolinha e Greta: Legal R., nós gostamos muito de conhecer o seu filho, agora vamos embora, tá?
R.: Tá!
Greta: Você pode acompanhar a gente. Mas é que toda vez que vamos sair, a gente erra a porta e bate na parede!

Daí aconteceu a coisa mais linda. O menino pegou a mão da Greta, pediu também a mão do dr. Pistolinha e disse: 

R.: Eu vou levar vocês até lá na saída, tá?
Pistolinha e Greta: Ai, muito obrigado! Assim a gente não se machuca, né?
R.: É! (sorriso) 

E a passinhos lentos, na maior delicadeza, essa criaturinha nos levou à porta de saída e ao fim de nossa jornada naquele dia… 

Antes da porta se fechar vimos seu pai, que nos acompanhou calado durante toda a visita, a nos agradecer com os olhos embaçados. Já detrás da porta, eu e Pistolinha somente nos olhamos… 

Dra. Greta Garboreta (Sueli Andrade)
Dr. Pistolinha (Duico Vasconcelos)
Instituto de Tratamento do Câncer Infantil – São Paulo
Agosto de 2013 



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brinquedo, criança, fantasia, história, reencontro

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Maravilhoso!
Wonderful!

vera lucia mazarin
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História linda!!!!! O que falar diante desta pureza .Tenho que dizer que o trabalho de vcs é incrível e que devem segurar por várias vezes as lágrimas,mas que tenho certeza que Deus esta recolhendo-as e depositando em seus odres.Parabéns!!!!!!

Deus os recompensará por cada ato e cada olhar sorrindo mesmo que por dentro a vontade é de chorar.
Beijos no coração de cada um de vcs.

Celso Jardim
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Tive a grata satisfação de testemunhar um grupo de jovens acadêmicos de medicina atuando como “doutores do sorriso” aqui em minha cidade (ver post sobre minha experiência em: http://celsojardim.blogspot.com.br). Atividades como essas põem a medicina no rumo certo. O capitalismo tende a desvirtuar o caráter humanista de muitas profissões como aquelas voltadas à promoção humana: Educação, saúde, etc. O despertar promovido por projetos como os doutores da alegria ou doutores sorriso, leva os profissionais a romperem a barreira gélida dos “compromissos profissionais” e das “metas de produtividade” impostas pela administração hospitalar e encontrarem o ser humano, verdadeiro destinatário de suas… Leia mais »

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